ETNOTURISMO

COMUNIDADE - A HISTÓRIA DO POVO KALUNGA

Um encontro com os povos originários e comunidades tradicionais do Brasil.

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Há quase quatro séculos, o interior do Brasil começou a ser colonizado, principalmente por causa da descoberta de minas de ouro nos estados de Minas Gerais e Goiás. Para esse trabalho, foram capturados índios, nativos das terras ainda não exploradas, e escravos negros trazidos da África.

 

A vida era difícil, o trabalho pesado e os castigos frequentes, razão pela qual esses escravos se organizavam e fugiam em busca de liberdade, indo cada vez mais longe e desbravando a mata ao redor das jazidas na região dos vales da Chapada dos Veadeiros.

A coragem e o desejo de liberdade eram tão grandes, que esses quilombos foram surgindo em terras de difícil acesso, entre serras e vales que circundavam o Rio Paranã, local onde dificilmente seriam recapturados. Esse povo cada vez mais afastado deu origem aos Kalungas, Comunidade Remanescente Quilombola, constituída por um povo que conserva os costumes e tradições afro-brasileiras e, somente a partir de meados de 1980 começou a ser identificada e pesquisada.

O território do Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga, que compreende todas as comunidades Kalungas de Cavalcante, Teresina de Goiás e Monte Alegre, foi titulado em 2000 pela Fundação Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura. Em 2003, a competência para regularização dessa área foi transferida para o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).

Há quase quatro séculos, o interior do Brasil começou a ser colonizado, principalmente por causa da descoberta de minas de ouro nos estados de Minas Gerais e Goiás. Para esse trabalho, foram capturados índios, nativos das terras ainda não exploradas, e escravos negros trazidos da África.

A vida era difícil, o trabalho pesado e os castigos frequentes, razão pela qual esses escravos se organizavam e fugiam em busca de liberdade, indo cada vez mais longe e desbravando a mata ao redor das jazidas na região dos vales da Chapada dos Veadeiros.

A coragem e o desejo de liberdade eram tão grandes, que esses quilombos foram surgindo em terras de difícil acesso, entre serras e vales que circundavam o Rio Paranã, local onde dificilmente seriam recapturados. Esse povo cada vez mais afastado deu origem aos Kalungas, Comunidade Remanescente Quilombola, constituída por um povo que conserva os costumes e tradições afro-brasileiras e, somente a partir de meados de 1980 começou a ser identificada e pesquisada.

O território do Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga, que compreende todas as comunidades Kalungas de Cavalcante, Teresina de Goiás e Monte Alegre, foi titulado em 2000 pela Fundação Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura. Em 2003, a competência para regularização dessa área foi transferida para o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).

 

COMO SOBREVIVERAM DURANTE TANTOS ANOS?

 

Os primeiros quilombolas tiveram que aprender a sobreviver na região da Chapada dos Veadeiros para poderem continuar livres. Essa adaptação deu origem à cultura de envolvimento e preservação da natureza que possuem hoje. No tempo antigo, eram eles que dependiam da natureza para sobreviver. Hoje, é a natureza que também passou a depender do povo Kalunga para sua preservação, que é quem conserva diversas espécies de animais ameaçados de extinção.

 

Os antepassados aprenderam a conhecer o ambiente ao seu redor e distinguir no meio do mato o que serviria, ou não para o seu sustento. Para garantir o alimento, passaram a observar e a reconhecer o tempo das chuvas e os sinais da seca. Tudo isso era necessário para saber regular o plantio das roças, por exemplo. Aprenderam a caçar para quando faltasse a carne do gado que eles mantinham nos pastos, e das galinhas criadas na beira da casa.

 

É claro que muitas dessas coisas eles já sabiam. Porque era isso o que tinham feito a vida toda, seja na roça, na mina ou na cidade. A diferença é que nos quilombos tornaram-se homens livres e passaram a fazer isso tudo para si mesmos.

 

A caça praticada pelos Kalungas nunca foi predatória, nem colocou em perigo espécies animais. Não haviam proprietários das terras, e retiravam do território praticamente tudo o que era necessário para garantir o sustento da família, prática que se mantém nos dias atuais. Vivem da produção agrícola familiar, através das “roças de toco”, antiga prática agrícola que se mantém e preserva o meio ambiente.

COMO FORAM ESTRUTURADAS A CULTURA E A SOCIEDADE DESTE POVO?

A história desse povo foi sendo passada de geração em geração pelos ancestrais, através de relatos compartilhados. Da mesma forma que acontecia na África, esse povo sempre seguiu a tradição do respeito e valorização da sabedoria e experiência dos anciãos da comunidade.

A divisão das terras era simbólica. Cada um tinha um espaço definido, mas com liberdade para ir usar os recursos de uso comum como a água, a caça e a pesca. Deste modo, cada núcleo familiar se manteve de maneira independente, mas sem perder os laços com os parentes mais distantes. Assim foi criada a organização das comunidades Kalunga.

 

O modo de vida Kalunga é repleto de saberes ancestrais como o plantio, a pesca, a lida com o gado, além da principal característica das comunidades tradicionais, a preservação do meio ambiente. Ali, cada família tem sua roça que fornece a alimentação para o consumo como arroz, feijão, abóbora, melancia, farinha, hortaliças entre outras delícias cultivadas de forma orgânica.

Referências: