Etnoturismo: O que é e como beneficia comunidades tradicionais?

Atualizado: Fev 13

Fonte: Gisele Motta – Jornalista Matéria gerada no 12º encontro da Aldeia Multiétnica da Chapada dos Veadeiros – 07/2018


Marcos Luz é diretor da Tekoá Brasil, uma empresa que trabalha com turismo de experiência, prezando pela sustentabilidade socioambiental no seguimento do ecoturismo, e agora está, junto com Fernando Schiavini, preparando um roteiro etnoturístico junto à etnia Krahô, de Tocantins. Para Marcos, os Krahôs estão prontos para um turismo alinhado ao mercado, no sentido de estarem próximos da cidae (8km de estrada até a cidade mais próxima, Itacajá) e já serem bastante influenciados pela cultura do branco. O etnoturismo, nesse caso, vem tencionar o contato com a sociedade não-indígena, a partir do momento que o turismo se concentra justamente em proporcionar um conhecimento sobre a identidade, a cultura, o modo de vida destas comunidades tradicionais.

<<Acreditamos que o etnoturismo pode proporcionar uma revitalização cultural, uma devolução da auto-estima do indígena, que vem se esvaziando muito nessas comunidades, especialmente pelo preconceito e pela assimilação cultural. Os anciões vivem com certa angustia, porque os mais jovens se distanciam do mundo tradicional. E é extremamente compreensível esse movimento. Quando chegamos na aldeia, me questionaram: o que precisamos fazer para esse projeto acontecer? E eu respondi que eles precisavam ser eles mesmos, da forma mais original possível>>

Para Marcos, é preciso não só respeitar a cultura tradicional, mas respeitar o contato que os indígenas já estão tendo com mundo branco. Não demonizar a tecnologia, mas entender que ela pode ser bem utilizada. Acima de tudo, fazer todos – indígenas e não indígenas – entenderem o valor da cultura indígena, dos saberes ancestrais.<<“Nossa ideia é um turismo de experiência para um público que busca vivências que nunca tiveram, que buscam uma conexão com uma ancestralidade preservada pela cultura indígena. Esse turismo pode ser uma ferramenta de sensibilização do “ser urbano” para a questão indígena como um todo e pode ser uma forma de encontrar pessoas que realmente possam investir financeiramente em projetos que beneficiem as comunidades>>

Para Alexandre Lemos, indigenista que vive há seis anos com os Xavantes, no Mato Grosso, essa etnia entende o etnoturismo como uma forma de educar o branco. Na área indígena de Pimentel Barbosa, quando os líderes indígenas se reuniram para discutir etnoturismo, eles resolveram que os brancos precisavam ser curados, principalmente. <<A questão foi aprofundando e o professor indígena xavante Josué disse que quando foi para a cidade, ele não gostou de andar nos bairros urbanos. Ele sentiu o cheiro do lixo na frente das casas – esperando a coleta – e reparou na mistura entre os lixos recicláveis e orgânicos. Então, ele viu que era necessário trabalhar a educação ambiental com essas pessoas. O etnoturismo está servindo para apresentar as plantas de cura do cerrado, numa caminhada ao redor da Serra do Roncador. Ainda, as mulheres xavantes também fazem uma massagem de cura tradicional>>

Na experiência da aldeia xavante, a questão do mercado ficou em segundo plano, em detrimento da conscientização. Os convidados foram esportistas brasilienses convidados que fizeram um trajeto de 13km de caiaque e 13km de bike até chegar a aldeia, onde tiveram dois dias de atividades culturais e curativas. Nesse etnoturismo esportivo, a troca se deu pelo alinhamento dos indígenas e não-indígenas através do esporte, explorado em seu potencial máximo de união.

Nesse sentido educacional, Thiago Ferreira, professor de historia em Alto Paraíso falou da importância desse tipo de evento para a educação de crianças e adolescentes. <<É essencial para o aluno que está começando a ler o mundo humano, conhecer a diversidade de habitações de modos de viver, ter acesso a cultura material e imaterial. E cada vez mais necessário que essa troca ocorra de maneira espontânea e segura para esses alunos. É uma missão propor um estudo de campo, tomar para si a responsabilidade de 40 alunos, que é envolver 80 pais. É uma missão fazer que esse jovem sinta de onde vem essa formação do povo brasileiro>>

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