O Roteiro Místico para o Centro do Mundo

Atualizado: Set 25

por Valério Azevedo

Místico. Misterioso, espiritualmente alegórico ou figurado. Referente à vida espiritual e contemplativa. Que emerge do ambiente místico. Que mediante a contemplação espiritual procura atingir o estado extático de uma união direta com a divindade. Místico é também tudo aquilo que leva o ser humano à travessia de suas transcendências internas. Um caminho, por exemplo, pode ser um lugar por onde passamos, mas pode ser também o meio pelo qual alcançamos o entendimento que nos conduz a essa travessia. É a busca ou a descoberta das essências do mundo natural, do poder dos quatro elementos, das crenças e das culturas. Do encontro consigo mesmo – o Centro do Mundo de cada um. Há muitas formas de percorrer um caminho. Uns se retiram, outros giram em torno de si mesmos. Há os que meditam, os que peregrinam, os que louvam e os que silenciam; há os que estudam, os que contemplam, os que rendem graças e há os que gravam no coração. O conjunto de atrativos articulados por meio de uma rota turística denominada O Caminho de Dom Bosco – Um Roteiro Místico para o Centro do Mundo é, também, um meio pelo qual podemos alcançar a transcendência dos processos internos da nossa evolução. Para percorrê-lo é necessário apenas aceitar a condição mística que existe em nós mesmos e em cada um. Da realidade que nos rodeia: o místico da terra ou da natureza, o místico da sociedade e das culturas, o místico da diversidade de ritos e crenças que nos transporta ao religioso, à reconexão com o Absoluto. Nesta era pós tecnológica, mais do que em qualquer outra, reduzido em má dimensão pelo encantamento da ciência, o homem universal retoma o seu destino de busca da transcendência do espírito, mais do que da limitação da matéria. Busca a felicidade e a qualidade de viver e conviver, mais do que a riqueza e a acumulação de bens. Busca o encontro com seu ser autêntico, mais do que ter – busca ser. Frente às tendências do século 21 esta perspectiva abre alternativas à procura universal de lugares capazes de propiciar esse encontro. Milhões de pessoas em todo o mundo, em todas as classes sociais, almejam encontrar em pontos de atração turística organizados em roteiros, as vias de peregrinação aos mais variados lugares da Terra: no Tibet, na Cordilheira dos Andes, na Índia e na Galícia de Compostela. O Brasil, com esplêndido apelo natural e características humanas, de rica cultura e religiosidade essenciais ao modo de ser de seu povo, não poderia deixar de oferecer o seu Caminho Místico. Um meio para a inclusão social e a desconcentração de renda, num processo de desenvolvimento sustentável redutor das desigualdades regionais. Um conjunto de atrativos turísticos ordenados na forma de uma rota de turismo. Um roteiro que partindo de Brasília, percorra a região histórica da ocupação territorial do Estado de Goiás, e alcance o que convencionamos chamar de O Centro do Mundo – o ponto onde se encontram as maiores bacias hidrográficas, as maiores reservas ecológicas; que percorra as culturas desde as mais primitivas, dos indígenas ancestrais, às dos desbravadores audazes e dos irmãos africanos; até o contexto das modernas cidades concebidas para abrigar o homem do Terceiro Milênio. Um roteiro inspirado na pluralidade das raças, na diversidade das crenças e no harmonioso convívio entre pessoas e nações. O desafio do desenvolvimento sustentável Ao longo dos últimos 50 anos, no mundo inteiro o paradigma das relações entre o crescimento econômico, o desenvolvimento social e a conservação dos recursos naturais sofreu numerosas mudanças. No Brasil, de 20 anos para cá, esta delicada equação vem exigindo atenção cada vez maior. Até meados dos anos 1990 a expressão desenvolvimento sustentável referia-se essencialmente à melhoria do cenário econômico, com redução dos impactos indesejados sobre o meio ambiente, geralmente depois que o mal já estava feito. Esse modelo, que de certa forma ainda persiste, tem os defeitos que todos conhecemos, mas representou um grande avanço em relação às práticas anteriores. Antes disso, a ideia de crescimento econômico se sobrepunha a qualquer outra consideração, trazendo muitas vezes como consequência a devastação ambiental, ao mesmo tempo em que estimulava a concentração de renda e a perpetuação da pobreza. Os desafios do Brasil do século 21, entretanto, exigem uma percepção mais elaborada de construção do futuro. O conceito de desenvolvimento sustentável pode ter uma interpretação restrita, quando diz respeito apenas à sustentabilidade ambiental, ou pode se referir ao que se convencionou chamar Sustentabilidade Ampla – uma forma mais abrangente de relacionar os diferentes fatores que atuam sobre o desenvolvimento. O conceito de desenvolvimento sustentável amplo contempla não apenas a sustentabilidade ambiental, que trata unicamente da conservação dos recursos naturais, mas extrapola esta visão e vai buscar seus alicerces em quatro dimensões: social, política, econômica e ambiental. "Esta maneira de confrontar os desafios do crescimento econômico ordenado está fundamentada na percepção de que é necessário construir o futuro de forma integrada, holística, multidisciplinar e, sobretudo, participativa." Em primeiro lugar, é preciso ter consciência de que a sustentabilidade do desenvolvimento está intimamente associada à redução das desigualdades sociais. No médio prazo, a sociedade rejeitará qualquer iniciativa que não tenha como prioridade maior contribuir com soluções para o combate à exclusão social e para as disparidades regionais. Na esfera social, um projeto que não resulte na melhoria da qualidade de vida de sua população – por meio de ações voltadas, sobretudo, à promoção da cidadania e à erradicação da pobreza –, vai acabar perdendo sustentabilidade, continuidade, e seus objetivos serão abandonados. Um segundo elemento essencial a um projeto de desenvolvimento sustentável é o processo participativo de construção, no qual a sociedade e os grupos de interesse organizados encontrem espaço para exercer o seu papel de representação política e institucional junto ao Estado. Trata-se aqui da sustentabilidade que se desenvolve no campo da governança e exige que as soluções sejam debatidas amplamente e negociadas passo a passo com os diversos segmentos da sociedade civil organizada. Nesse sentido, as instituições participam do processo de construção do modelo e colaboram com o seu desenvolvimento ou vão se transformar em obstáculos. Outro aspecto indissociável da sustentabilidade ampla é a dimensão econômica. Uma atividade econômica só é sustentável se for eficiente e competitiva. Para ter permanência ao longo do tempo deve resultar, necessariamente, na melhoria da qualidade de vida das pessoas que dela subsistem. Neste caso, a condição necessária para assegurar a continuidade do desenvolvimento é a competitividade dos produtos e serviços gerados pela economia, estimulada pela adequação dos fatores sistêmicos, pela exposição à competição interna e externa, pela qualidade, pela produtividade e pela inovação. Apesar da importância das dimensões social, política e econômica, o aspecto mais difundido do desenvolvimento sustentável nos dias atuais é a preservação do meio ambiente que, como sabemos, vem sendo exaustivamente discutida. A quarta dimensão do desenvolvimento sustentável amplo é, portanto, ambiental e se manifesta pela capacidade de manter os recursos naturais do Planeta. Na abordagem dessa questão devemos estar atentos a um fator diferencial, de grande relevância na discussão a respeito da preservação dos recursos naturais. Não devemos olhar o meio ambiente somente como uma restrição ao desenvolvimento, ou um custo adicional para as empresas e a sociedade. Devemos percebê-lo principalmente como um grande conjunto de oportunidades para investimentos públicos e privados. Investimentos que devem ser intensivos em informação e conhecimento, capazes de gerar produtos e serviços de alto valor agregado, resultando no uso mais eficiente desses recursos e que preservem a capacidade da natureza em renovar-se, mantendo um processo de uso contínuo. Desta forma, um projeto concebido sob os princípios do desenvolvimento sustentável amplo pressupõe que suas ações e resultados reflitam o equilíbrio dessas quatro dimensões. Pressupõe que somente será bem sucedido se for eficiente no enfrentamento da pobreza e das disparidades sociais e regionais, por meio da inclusão social; se for construído dentro de um processo amplamente participativo que assegure sua legitimidade; se resultar em atividades econômicas competitivas, capazes de inserir seus produtos e serviços nos mercados internacionais; e finalmente, se oferecer soluções inovadoras, que preservem as riquezas naturais, gerando emprego e renda. O Roteiro Místico para o Centro do Mundo é, em síntese, a ousada proposta de criação de um rota turística partindo de Brasília nas direções de Goiás e Tocantins, constituído de atrativos diferenciados, como cultura antiga, arqueologia, aventura e esoterismo. E ainda, um amplo portfólio de oportunidades ao empreendedorismo na cadeia produtiva do turismo, fundamentado nos princípios da Sustentabilidade Ampla. O Roteiro Místico e a Chapada dos Veadeiros Assim como São João Bosco, também o mestre indiano El Morya, da Grande Fraternidade Branca, profetizou, em 1957, que os Caminhos Místicos de peregrinação do Terceiro Milênio seriam revelados nos planaltos centrais do Brasil: “Os peregrinos que buscam o caminho e a iluminação espiritual serão doravante conduzidos para a América do Sul, como o foram, anteriormente, para o Oriente. Para este fim, os Senhores das forças da Natureza e do Reino Elemental estão prevendo um meio natural de acesso até agora não desvendado”. Muito antes, às vésperas da independência do Brasil, o eminente naturalista Carl Freidrich Philipp von Martius conclui sua viagem de três anos pelo País das Pindoramas – cujo símbolo maior é o Buriti. Segundo ele, havia por aqui o reino das Náiades, as ninfas sensuais e murmurantes dos caudais amazônicos. Das Dríades, protetoras dos bosques e das Matas Atlânticas. Das Hamadríades, que fenecem nas secas e desabrocham com a chuva, e das Oréades, sentinelas dos planaltos tutelares e dos cerrados do Centro-Oeste. Desde os anos 1970, até meados de 2001, a região onde se localiza a cidade de Alto Paraíso, na Chapada dos veadeiros, foi, no Brasil, a Meca das sociedades alternativas, das seitas esotéricas e de todos quantos almejassem uma vida mais espiritualizada e saudável, longe da turbulência dos grandes centros urbanos. Para lá acorreram pessoas de todas as partes, pregando a cooperação, o amor livre, a não violência e o estreito contato com os elementos da natureza. A rica paisagem permeada de córregos, rios, cachoeiras e veredas serviu de cenário ideal ao florescimento de comunidades inspiradas no saber holístico e em filosofias orientais. Aguardavam o colapso da sociedade tecnológica de consumo, previsto para o ano 2000. Para lá se dirigiram, também, muitos ufólogos, videntes e sensitivos em busca de sinais advindos das esferas celestes. Hoje, os recantos da Chapada guardam ecos da Nova Era de Aquário. Situada sobre uma das maiores jazidas de cristal de quartzo do planeta – visível do espaço – a região é uma espécie de refúgio do realismo mágico, no qual a força da natureza se traduz numa alquimia pululante de jardins encantadores, e onde os que procuram o caminho da iluminação espiritual podem ser conduzidos pelos Senhores do Reino Elemental.

*Valério Azevedo é jornalista e autor do livro Revelações do Imaginário Mágico – um livro de ficção e temas variados, que vão da imortalidade à vida após a morte, da origem da humanidade à capacidade do homem de clonar a si mesmo, passando pela hipótese extraterrestre, pelos mistérios que envolvem as sociedades secretas e pela convivência de humanos com robôs. É também o desenvolvedor e idealizador do portal de conteúdos de Arte & Humanidades para a Internet ‘A Existência Virtual’. Foi coordenador do projeto de pesquisas Roteiro Místico Para o Centro do Mundo, e organizador de seus textos finais de apresentação.

5 visualizações

Registrada:

CNPJ 14.703.348/0001-50

Newsletter

Inscreva-se para receber as novidades.

  • Facebook
  • Twitter
  • YouTube
  • Instagram

Copyright 2020 Tekoá, todos direitos reservados