POVOS INDÍGENAS - O QUE ELES PODEM NOS ENSINAR

Por Fernando Schiavini

Indigenista e Escritor

A grande massa da população acredita, um tanto romanticamente, que os povos indígenas são protetores da natureza por “natureza”, ou seja, que fazem isso porque são “bonzinhos”. E que seria esta a única coisa que o diferem do mundo capitalista.

Não é nada disso. A proteção da natureza pelos povos tribais antigos é decorrente de uma série de fatores ligados à organização social, às crenças e aos modos de viver dessas comunidades.

Mas, não é somente o respeito à natureza que os povos tribais antigos têm a nos ensinar. Suas formas de viver com os da mesma espécie, desenvolvidas em milênios de vida em comum, nos trazem de volta várias lições preciosas de convivência comunitária, que o processo capitalista nos tirou, no afã de melhor dominar, vender seus produtos e explorar o trabalho. É preciso relembrar que todos os humanos foram tribais, em alguma época do passado.

A vida em comunidades, com regras de convivência milenares, desenvolveu mentalidades que hoje, podemos dizer que é exatamente o que nos falta para sermos mais felizes e que representam as grandes utopias que a humanidade, inserida no mundo capitalista, tenta alcançar.

O ponto de partida para a compreensão do que ocorre hoje com a humanidade, está no desvirtuamento que o sistema capitalista, aliado às religiões, criou nas mentalidades das pessoas, de que a terra e seus elementos foram criados para usufruto exclusivo da espécie humana e que ela é uma espécie de “inimigo” que deve ser dominado.

Os povos indígenas, ao contrário, acreditam que os humanos representam apenas mais uma espécie animal que habita a terra e, como tal, necessita de todos os outros elementos para viver. Creem, ainda, que todos os elementos naturais possuem os seus guardiões espirituais, que devem ser respeitados e reverenciados.

Várias outras lições podemos reaprender com os povos indígenas:


O conceito de nosso, em oposição ao meu. O capitalismo promove a propriedade particular e o individualismo ao extremo, no intuito de vender melhor seus produtos e dominar as pessoas. Para os povos tribais, as únicas coisas que são consideradas bens exclusivos do indivíduo são os seus objetos de uso pessoal, mesmo porquê são auto adaptados. O restante é de uso coletivo;

A divisão equânime dos alimentos. As organizações tribais obrigam o indivíduo a fazer a partilha dos alimentos que consegue produzir no cotidiano, através das “relações de reciprocidade”, geralmente determinadas pelas regras de parentesco. Por esse sistema, outras pessoas e famílias também terão que enviar alimentos para ele, promovendo, assim, a perfeita distribuição dos produtos;

A decisão dos assuntos importantes pelos mais idosos. Ao contrário do capitalismo, que considera os velhos descartáveis, assim que se aposentam, no mundo tribal eles são os mais respeitados e cabe a eles a última palavra nas decisões importantes. Os anciões sempre decidem com sabedoria, afinal são os mais experientes, centrados; livres das vaidades e disputas pessoais e políticas, próprias das pessoas mais jovens. Eles desejam apenas a continuidade das tradições e da sua família

Decisões por consenso. No mundo tribal não há votações, as questões são decididas por consenso. Se o assunto é polêmico esse consenso é alcançado pelos mais idosos. Afinal, que representatividade pode haver em uma decisão na qual houve maioria de apenas uma ou poucas pessoas?

Lideranças sem privilégios especiais. O poder, no mundo capitalista, está associado a acumulação de riquezas, privilégios e mordomias. O líder, no mundo tribal, ao contrário, deve ser sempre o menos autoritário, o mais cordato, paciente e o mais dadivoso entre os membros da sua comunidade. Não tem o poder de mandar em ninguém, mas deverá saber ouvir a todos e costurar os consensos. Não possui nenhum privilégio especial por exercer a liderança;

A educação das crianças. A criança, no mundo tribal, não é tratada como um bibelô ou um ser especial que deve ser constantemente afagado, ou alguém a ser permanentemente conduzido, vigiado e repreendido. Ela é uma pequena pessoa que possui plena liberdade e deve aprender pela observação dos adultos em suas atividades cotidianas e pela convivência, em grupo, com outras crianças. Na idade certa, ele irá compor um grupo de idade, ao ingressar em rituais de iniciação guerreira, social e espiritual, até a sua formação, ao torno de 18 anos.

A capacidade de perdoar. A convivência em grupo por longos períodos, obriga às pessoas a desenvolverem a capacidade do perdão, mesmo quando a ofensa que provocou o conflito seja grave. Além das pessoas se conhecerem desde a infância, sabem que, no mundo tribal, todos necessitam de todos e a raiva e o ódio nunca são incentivados. Vários mecanismos sociais também contribuem para a paz entre as pessoas. Ao final, se necessário, os mais velhos promovem a paz entre os contendores, e todos se perdoam mutuamente.

Poderíamos enumerar outros exemplos do bem-viver desenvolvidos pelos povos indígenas, mas consideramos esses os principais. Como se vê, estão aí reunidas várias utopias que a sociedade moderna busca alcançar, sem perceber que nossos antepassados já viveram tudo isso, que de certa forma nos foi roubado.

Mas os povos tribais ainda estão aí, para quem ainda deseja aprender melhores formas de viver.

Outubro 2017.

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